Piso do Engenheiro Agrônomo em MT | Jonas Stephâni
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Estadual · Mato Grosso

Piso salarial do engenheiro agrônomo em Mato Grosso: na maior fronteira agrícola do país, o valor certo

Se existe um estado onde a agronomia é a própria economia, é Mato Grosso — o maior produtor de soja, milho e algodão do país, uma das maiores fronteiras agrícolas do planeta. Aqui, o engenheiro agrônomo não é figura acessória: é peça central de uma máquina produtiva que move o Brasil, trabalhando em revendas de insumos, cooperativas, empresas de tecnologia agrícola e propriedades de escala industrial. E, nessa densidade sem paralelo, o vício da categoria se repete em larga escala: o profissional cujo receituário e cujas recomendações técnicas sustentam a produção, registrado como “consultor” ou “RTV” e remunerado como se fosse nível médio.

Esta página trata do agrônomo em Mato Grosso: os valores por jornada aplicáveis, a regra do fixo mais comissões que decide os casos de revenda, e o tribunal que julga — o TRT da 23ª Região. A mecânica da lei, o receituário como prova e a fiscalização do próprio CREA estão no guia do piso do agrônomo; aqui, a camada mato-grossense.

I · O centro da página

Os valores por jornada em Mato Grosso

Jornada Múltiplo Piso legal de referência
6 horas diárias30h semanais 6,0 R$ 7.272,00
7 horas diárias35h semanais 7,25 R$ 8.787,00
8 horas diáriasTeto da lei · 40h ou 44h semanais 8,5 R$ 10.302,00

A lei fixa o piso pela jornada diária e para na oitava hora: 8,5 é o teto legal, e contratos de 44 horas semanais não geram múltiplo maior — o que exceder a 8ª hora do dia é hora extra, não piso. Valores sobre a base congelada de R$ 1.212,00 do STF; o cálculo em duas fases está no guia da lei. O piso legal é a base garantida ao agrônomo celetista, com ou sem convenção; onde houver norma da categoria com piso superior, prevalece o mais benéfico.

II · O maior destaque

A regra que decide as revendas: fixo mais comissões

Em Mato Grosso, a figura do RTV — representante técnico de vendas é onipresente: o agrônomo que atende o produtor, recomenda o manejo, emite o receituário e vende o insumo. E a sua remuneração costuma ser um fixo baixo somado a comissões sobre vendas — exatamente o arranjo em que o caso se decide.

O piso não desaparece diante da remuneração variável: confere-se pela soma de cada mês. Nos meses em que fixo e comissões, somados, ficarem abaixo do piso da jornada, a diferença daquele mês é devida — sem que a safra boa compense a entressafra fraca.

A prova vem pronta

Cada receituário emitido diz quantas vezes por dia aquele “consultor” era, de fato, agrônomo.

Essa regra, detalhada no hub, tem em Mato Grosso o maior campo de aplicação do país, pela densidade de revendas e pela escala das vendas de insumos. E a fiscalização do próprio sistema Confea/CREA, que cobra das empresas a comprovação do salário mínimo profissional, é alavanca adicional — ambas tratadas no guia.

Num estado onde um único agrônomo pode responder por dezenas de milhares de hectares, a distância entre o que ele produz e o que recebe costuma ser grande.

III

Conselho, tribunal e a geografia do agro

O agrônomo mato-grossense registra-se no CREA-MT, e o acervo técnico ali — as ARTs de assistência, consultoria e responsabilidade técnica — compõe, ao lado dos receituários, a prova do exercício. As ações tramitam nas Varas do Trabalho de Mato Grosso e, em recurso, no Tribunal Regional do Trabalho da 23ª Região, único no estado, com sede em Cuiabá — competente para todas as comarcas, inclusive as do agro profundo.

A categoria trabalha nas revendas de insumos (as maiores empregadoras de agrônomos no estado), nas cooperativas, nas empresas de tecnologia agrícola e agricultura de precisão, nas algodoeiras e no seu beneficiamento, e nas propriedades de escala industrial. O vício típico é o plano de cargos que rebatiza o agrônomo de “consultor” ou “técnico” com salário de nível médio, enquanto a atividade é privativa de nível superior. As normas coletivas dessas empresas, quando existem, aplicam-se ao contrato — nunca abaixo do piso legal. A mecânica de ART e acervo está detalhada no hub do engenheiro.

Se algo aqui descreveu a sua situação, vale uma conversa.

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IV

Onde a agronomia trabalha em Mato Grosso

O estado concentra a agronomia diplomada nas regiões que o fizeram.

Médio-norte Sorriso, Lucas do Rio Verde e Nova Mutum — o coração da soja e do milho, e uma das maiores densidades de agrônomos do país.
Sudeste Rondonópolis e Primavera do Leste, com revendas, cooperativas e beneficiamento.
Oeste e norte em expansão A fronteira que ainda avança, com demanda técnica crescente.
Cuiabá A capital como polo de serviços do agro — empresas de tecnologia agrícola, consultorias e sedes administrativas.

Sorriso é frequentemente citada como um dos maiores municípios produtores de grãos do país — e, com a produção, vem a densidade de agrônomos, muitos remunerados como se não o fossem. A resposta é a mesma em todo o estado: o piso pela jornada, a soma mês a mês da remuneração variável, o enquadramento pela função efetiva e os receituários e ARTs como prova. O caminho está no guia do agrônomo; o atendimento é por videoconferência para todo o estado.

V

Perguntas frequentes

Sou RTV numa revenda em Sorriso (ou Lucas, Rondonópolis), mas emito receituário. Tenho o piso? +

Essa é a situação-tipo da categoria no estado. Quem emite receituário exerce atribuição privativa da agronomia, e o piso acompanha o exercício, não o crachá. Os receituários do período são a sua prova em série; a análise mede a jornada, a remuneração total mês a mês e a norma aplicável.

Recebo fixo mais comissão. Como se confere o piso? +

Pela soma de cada mês contra o piso da jornada. Se fixo e comissões, somados, ficarem abaixo do piso em determinado mês, a diferença daquele mês é devida — sem compensar mês bom com mês ruim. A conta corre os últimos cinco anos, e em Mato Grosso, com as escalas de venda envolvidas, costuma surpreender.

Sou agrônomo de cooperativa ou de algodoeira. Estou incluído? +

Se o seu diploma é de agronomia e você exerce as atribuições da profissão — manejo, recomendação técnica, responsabilidade técnica —, sim. Cooperativas, algodoeiras e empresas de insumos são das maiores empregadoras da categoria em MT, e o registro como "técnico" com salário de nível médio é frequente. A norma da empresa, quando existe, aplica-se — nunca abaixo do piso legal.

Trabalho no agro profundo, longe de Cuiabá. Vocês atendem? +

Sim, em todo o Mato Grosso, por videoconferência e com atuação eletrônica na comarca competente — inclusive nas regiões produtoras onde a categoria se concentra. A distância não altera o direito.

Meu caso corre em qual tribunal? +

No TRT da 23ª Região, único no estado, com sede em Cuiabá — competente para todo o Mato Grosso, inclusive o agro profundo. Não há a divisão entre capital e interior que existe em São Paulo.

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