Piso do Engenheiro Agrônomo em MS | Jonas Stephâni
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Estadual · Mato Grosso do Sul

Piso salarial do engenheiro agrônomo em Mato Grosso do Sul: do eucalipto ao grão, o valor certo

Mato Grosso do Sul deu à agronomia uma dupla vocação. De um lado, a agricultura de grãos e a pecuária que o estado partilha com seus vizinhos do Centro-Oeste. De outro, algo mais raro: a silvicultura de eucalipto em escala industrial — as vastas plantações que abastecem os complexos de celulose de Três Lagoas e região, um dos maiores parques florestais plantados do país. O engenheiro agrônomo sul-mato-grossense tanto pode ser o profissional da lavoura de soja quanto o do manejo florestal do eucalipto — e, em qualquer caso, tem direito ao piso da Lei 4.950-A.

Esta página trata do agrônomo em Mato Grosso do Sul: os valores por jornada aplicáveis, a regra do fixo mais comissões nas revendas, a dupla frente (silvicultura e lavoura), e o tribunal que julga — o TRT da 24ª Região. A mecânica da lei, o receituário como prova e a fiscalização do próprio CREA estão no guia do piso do agrônomo; aqui, a camada sul-mato-grossense.

I · O centro da página

Os valores por jornada em Mato Grosso do Sul

Jornada Múltiplo Piso legal de referência
6 horas diárias30h semanais 6,0 R$ 7.272,00
7 horas diárias35h semanais 7,25 R$ 8.787,00
8 horas diáriasTeto da lei · 40h ou 44h semanais 8,5 R$ 10.302,00

A lei fixa o piso pela jornada diária e para na oitava hora: 8,5 é o teto legal, e contratos de 44 horas semanais não geram múltiplo maior — o que exceder a 8ª hora do dia é hora extra, não piso. Valores sobre a base congelada de R$ 1.212,00 do STF; o cálculo em duas fases está no guia da lei. O piso legal é a base garantida ao agrônomo celetista, com ou sem convenção; onde houver norma da categoria com piso superior, prevalece o mais benéfico.

II · O maior destaque

A regra que decide as revendas: fixo mais comissões

No agro tradicional de Mato Grosso do Sul, a figura do RTV — representante técnico de vendas é onipresente: o agrônomo que atende o produtor, recomenda o manejo, emite o receituário e vende o insumo. E a sua remuneração costuma ser um fixo baixo somado a comissões sobre vendas — exatamente o arranjo em que o caso se decide.

O piso não desaparece diante da remuneração variável: confere-se pela soma de cada mês. Nos meses em que fixo e comissões, somados, ficarem abaixo do piso da jornada, a diferença daquele mês é devida — sem que a safra boa compense a entressafra fraca.

A prova vem pronta

Cada receituário emitido diz quantas vezes por dia aquele “consultor” era, de fato, agrônomo.

Essa regra, detalhada no hub, aplica-se ao representante técnico de vendas — o profissional cujo receituário a loja precisa para vender defensivos. E a fiscalização do próprio sistema Confea/CREA, que cobra das empresas a comprovação do salário mínimo profissional, é alavanca adicional. Na silvicultura, o arranjo costuma ser de salário fixo, e ali a conta se faz pela comparação direta com o piso da jornada.

Num estado onde um único agrônomo pode responder por dezenas de milhares de hectares, a distância entre o que ele produz e o que recebe costuma ser grande.

III

Conselho, tribunal e a geografia do agro

O agrônomo sul-mato-grossense registra-se no CREA-MS, e o acervo técnico ali — as ARTs de assistência, consultoria, manejo florestal e responsabilidade técnica — compõe, ao lado dos receituários, a prova do exercício. As ações tramitam nas Varas do Trabalho de Mato Grosso do Sul e, em recurso, no Tribunal Regional do Trabalho da 24ª Região, único no estado, com sede em Campo Grande — competente para todas as comarcas, inclusive as do agro profundo.

A categoria trabalha nas empresas florestais e na silvicultura de eucalipto (região de Três Lagoas e do leste do estado), nas revendas de insumos e cooperativas do agro de grãos (Dourados e o sul), nas propriedades de pecuária e nas empresas de tecnologia agrícola. Uma vez confirmado o vínculo celetista, a régua é a mesma: o piso pela jornada, a soma mês a mês da remuneração variável (onde houver), o enquadramento pela função efetiva e a prova documental do exercício. O caminho está no guia do agrônomo.

Se algo aqui descreveu a sua situação, vale uma conversa.

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IV

Duas frentes: a silvicultura e a lavoura

A agronomia sul-mato-grossense trabalha em duas frentes que exigem o mesmo diploma e garantem o mesmo piso.

Silvicultura de eucalipto Manejo florestal, produtividade, sanidade e planejamento nas plantações que alimentam a indústria de celulose — muitas vezes ligado às empresas florestais dos complexos industriais de Três Lagoas e do leste do estado.
Lavoura e pecuária A soja, o milho e a pecuária, nas revendas, cooperativas e propriedades do agro tradicional de Dourados e do sul — território da regra fixo mais comissões.

Em ambas, o piso da Lei 4.950-A incide sobre o profissional diplomado que exerce as atribuições da agronomia, seja qual for o cultivo — e a modalidade (agronomia, engenharia florestal, onde aplicável) não muda a garantia. O que a dupla vocação de MS acrescenta é a exigência de ter o enquadramento correto reconhecido: tanto a floresta plantada quanto a lavoura tendem a registrar o profissional em cargos genéricos. A mecânica de ART e acervo está no hub do engenheiro.

V

Perguntas frequentes

Sou agrônomo na silvicultura de eucalipto para celulose. Tenho o piso? +

Se o seu diploma é de agronomia (ou engenharia florestal, conforme a modalidade) e você exerce as atribuições da profissão — manejo, planejamento, sanidade florestal, responsabilidade técnica —, sim, o piso incide. A silvicultura de eucalipto é uma frente importante em MS, e o registro em cargo genérico com salário abaixo do piso é frequente. A análise verifica a modalidade e a função.

Sou "consultor" numa revenda, mas emito receituário. Tenho o piso? +

Sim, confirmado o vínculo celetista. Quem emite receituário exerce atribuição privativa da agronomia, e o piso acompanha o exercício, não o crachá. Os receituários do período são a sua prova em série; a análise mede a jornada, a remuneração total mês a mês e a norma aplicável.

Recebo fixo mais comissão. Como se confere o piso? +

Pela soma de cada mês contra o piso da jornada. Se fixo e comissões, somados, ficarem abaixo do piso em determinado mês, a diferença daquele mês é devida — sem compensar mês bom com mês ruim. A conta corre os últimos cinco anos.

Trabalho no interior, longe de Campo Grande. Vocês atendem? +

Sim, em todo o Mato Grosso do Sul, por videoconferência e com atuação eletrônica na comarca competente — inclusive nas regiões florestais e do agro onde a categoria se concentra. A distância não altera o direito.

Meu caso corre em qual tribunal? +

No TRT da 24ª Região, único no estado, com sede em Campo Grande — competente para todo o Mato Grosso do Sul. Não há a divisão entre capital e interior que existe em São Paulo.

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Em Mato Grosso do Sul, do eucalipto ao grão, a lei tem um piso para o agrônomo.

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